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terça-feira, 24 de abril de 2012

Morreu o actor brasileiro que se enforcou por acidente em palco

O actor, de 27 anos, encontrava-se em coma profundo nos cuidados intensivos da Santa Casa de Itapeva.

Em declarações ao jornal Folha de São Paulo, a irmã de Thiago, Fabiana Klimeck Bueno, disse que o actor ensaiou seis meses para encarnar o personagem de Judas na peça e que no dia do fatídico acidente teria ensaiado a cena do enforcamento na presença do Corpo de Bombeiros, que inspecionou o material usado por baixo da túnica.

O Corpo de Bombeiros, contudo, contraria esta versão, indicando que não participou  na encenação ou nos ensaios.

O acidente terá sido provocado pelo facto de o colete que usava sob a túnica ter subido e se enroscado na corda, provocando o enforcamento, indicou a Guarda Civil de Itararé.

O actor ficou quatro minutos imóvel até que os outros atores se apercebessem que Thiago estava inconsciente.

O acidente está a ser investigado pela Guarda Civil de Itararé.

in Diário Digital

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Comunicado Plateia

Comunicado: A Cultura e as Artes no OE 2012

Comunicado endereçado ao senhor Secretário de Estado da Cultura, com conhecimento aos senhores Primeiro-Ministro e Presidente da República e ainda aos grupos parlamentares da AR.

Hoje, dia 5 de Dezembro é a data em que se cumpre o primeiro passo formal das políticas culturais desenhadas pelo actual governo: a entrega de Plano de Actividades e Orçamento por entidades de criação/programação artística de iniciativa não governamental, com um corte de 38% sobre os valores atribuídos em concurso público. E tiveram estas entidades pouco mais de dez dias para o fazer!
A PLATEIA – associação de profissionais das artes cénicas dirigiu-lhe um escrito no passado dia 18 de Outubro, antes portanto de qualquer discussão parlamentar sobre o OE2012, em que solicitávamos audiência urgente com Vª Exª. Tal reunião foi marcada, desmarcada posteriormente por impedimento inesperado de agenda e nunca mais remarcada. Ultrapassada a discussão e aprovação do OE2012 na AR com tudo o que através dela se foi sabendo, após circular da DGArtes dirigida às entidades com contrato de financiamento em vigor e ainda declarações públicas do sr. Director-Geral das Artes, ficou mais completamente desenhado um quadro de menorização objectiva da cultura, através do progressivo extermínio da sua área nuclear – a criação artística contemporânea. À falta do meio prévio a decisões, que tentámos e preferiríamos, escrevemos-lhe aqui sobre a nossa perplexidade e indignação. Damos conhecimento ao ministro que tutela a Cultura, Sua Excelência o sr. Primeiro-Ministro, e a Sua Excelência o sr. Presidente da República já que está em causa uma demissão no cumprimento das funções do Estado e que está também em causa o próprio Estado de Direito.

O programa de extinção da criação artística contemporânea
Aumentam as taxas da IGAC (licenças de espaço, de representação, classificações etárias, etc), aumenta o IVA sobre os bilhetes das iniciativas culturais (estranha excepção ao livro). Com isto muda definitivamente o discurso político sobre a criação artística: não há mais que furtá-la às leis do mercado, não há mais que protegê-la pelo interesse público que representa como área de conhecimento que é, como motor de desenvolvimento e de futuro de qualquer sociedade. Depois a barreira é mesmo ultrapassada aprimorando-se uma ideia de que a Cultura terá, mais do que qualquer outro sector de actividade, vivido acima das suas possibilidades, aplicando cortes maiores nesta área do que em qualquer outra. Desde a privatização da RTP, aos cortes transversais nos orçamentos das entidades de programação e criação artística de iniciativa governamental – que nos põem em risco de perder o único teatro de ópera nacional e levar ao fecho do TeCA, espaço gerido pelo TNSJ –, à não resolução do financiamento ao cinema que tem as suas receitas próprias, provenientes da publicidade, reduzidas pela austeridade, ao corte de mais de 50% no orçamento de investimento da DGArtes, na realidade o corte na cultura, tendo em conta também os fundos directamente atribuídos pelo Ministério das Finanças, é superior a 20%. E isto sobre um orçamento já irrisório, que decresce desde 2000 sem nunca ter chegado ao mítico 1% do OE.

O desrespeito por contratos, pelos profissionais das artes e pela legalidade
Uma das decisões mais inusitadas é aquela que não proviu a DGArtes sequer com o montante já comprometido em contratos de financiamento resultantes de concurso público. Assim, além de a DGArtes estar incapacitada de, cumprindo o quadro legal das suas obrigações, lançar novos concursos de apoio pontual e anual, de apoio à edição e a internacionalização, não pode sequer honrar os compromissos já estabelecidos. Ouvimos membros do governo a clamar da impossibilidade de rever outros contratos, mesmo de adjudicação directa. O estado como pessoa de bem honra os seus compromissos. Mas não no caso das artes. Ouvimos, pessoalmente em audição e audiência na AR quando este desrespeito era perpetrado pela ministra Canavilhas, os deputados do PSD e do CDS a manifestarem o seu repúdio absoluto por tal atitude. Tudo mudou. Pior. Veio o senhor DGArtes a público dizer que “É importante salvaguardar os compromissos em curso – os bienais e quadrienais (…) os 38 % são um valor indicativo para negociação, como ponto de partida já deixam um número muito baixo de fora, na ordem dos 300 mil euros mas que vamos querer salvaguardar. Cada 2 ou 3% de redução permite que haja folga para outros projectos que contribuem para a dinamização da cultura contemporânea. (…) Parece-nos sensato falar com as entidades uma a uma. (…). É uma forma de garantirmos que as boas práticas são premiadas.” Entende-se que cortar 38% num orçamento previsto permite salvaguardar a actividade das entidades com apoio bienal e quadrienal; entende-se ainda como lícito retirar ainda mais dinheiro destes contratos para se obter falsa receita para novos financiamentos, fazendo carne com o próprio pêlo, e ainda se diz que algumas entidades, “as que se “portam bem”, serão “premiadas” pelas suas boas práticas ficando com um corte de “apenas” 38% sobre o que legitimamente previam.
Não sabem, mas deviam saber, que os financiamentos via DGArtes são apenas 50 a 60% do orçamento destas entidades, que é portanto apenas um co-financiamento (como poderia uma estrutura de criação/programação sobreviver com uma verba anual de 50 mil euros ou mesmo menos como muitas?) que é multiplicado pelas próprias entidades que angariam fundos complementares junto de entidades públicas e privadas; que cerca de 60% do total de dinheiro gerido anualmente é dispendido em custos de estrutura e recursos humanos; que em altura de austeridade e em que o estado corta financiamento às suas próprias entidades de programação as receitas complementares estão em risco implicando já um corte nos montantes disponíveis.
Não sabem, mas deviam saber, que com este montante de investimento (?) o retorno em oferta de propostas artísticas será reduzido em mais de 50% e além de despedimentos deixarão ainda de ser contratados muitos profissionais. Sim, somos essencialmente intermitentes, sem contrato; sim, este desemprego não pesará nas estatísticas do estado português nem acarretará qualquer encargo.
Não sabem, mas deviam saber, que no quadro legal dos concursos de apoio às artes estão já previstos mecanismos de acompanhamento e fiscalização, que as entidades estão obrigadas a apresentar relatórios intermédios e finais em cada ano e submetem à DGArtes Plano de actividades e Orçamento anualmente; que por acção das comissões de acompanhamento já algumas estruturas foram penalizadas por incumprimento. E o mecanismo previsto não é o de reuniões individuais à porta fechada, como propõe a DGArtes, porta aberta ao discricionário, à iniquidade, à anulação do concurso público que esteve na base dos contratos tão levianamente postos em causa. E insidioso e repulsivo é o facto de se pedir a colaboração das estruturas num acto com objectivo confesso de aprofundar a espoliação para obter ilegalmente receitas que de facto não existem. São os beneficiários de apoio bi e quadrienais os financiadores da actividade da DGArtes, à custa do seu próprio aniquilamento.

A crise como pretexto
Temos claras razões para entender tudo isto como acção intencional e não mera distracção ou preguiça. De facto a justificação “crise” não tem qualquer cabimento. Aliás já não tinha quando o desrespeito por contratos em curso começou com Gabriela Canavilhas. E aí PSD e CDS na oposição discordavam de tal.
O corte na cultura é da ordem das dezenas de Milhões de euros e a dívida portuguesa conta-se em milhares de Milhões; o corte na DGArtes é cerca de 10 Milhões; seriam necessários, no total 22 Milhões, 17 deles só para contratos em curso.
A inaceitabilidade deste pretexto e o indício de não se tratar de falta de política cultural mas sim da afirmação de uma política de aniquilamento é evidenciada de várias formas.
Na Lei de execução orçamental aprovada para 2012, exclui-se de qualquer corte os fundos para financiamento da investigação científica, via Fundação Ciência e Tecnologia (FCT). Esta área tinha em 2005 o mesmo nível de investimento que a criação artística. Entretanto quadruplicou esse investimento e é agora, e bem, protegido da austeridade, como sector de importância nuclear. As artes foram mantidas num nível de subfinanciamento, que lhe tem diminuído a capacidade de ser reprodutiva, de impacto na sociedade, e não é sequer mantida nesse nível. Que explicação? Afinal, mesmo em crise, havendo vontade política é possível proteger alguns sectores.
Há duas semanas chegou-nos a notícia de que o governo decidiu “perdoar” impostos às operadoras de comunicações móveis no valor total de 26 Milhões de euros. Bem mais do que seria necessário para manter o nível de financiamento à criação artística.
Veio também a lume que foram reduzidas as contrapartidas da empresa fornecedora das Pandur perdendo o estado 189 Milhões de euros. É mais do que todo o orçamento 2012 para a Cultura.
Soubemos ontem que no OE 2011, devido à incorporação do fundo de pensões da banca, há um excedente de 2 mil Milhões. Para a DGArtes ficar em situação regular e cumprir, como deve, os contratos em vigor e dinamizar novas acções de financiamento da arte bastariam 0,5% desta verba, 10 Milhões de euros.
Da Europa chegam verbas a Portugal para financiar a Cultura, concretamente as áreas nucleares da cultura. Com essas verbas lança o governo (anúncios da semana passada) concursos para apoio às indústrias criativas, claramente uma área secundária e não nuclear na cultura, como na sua própria definição é assumido. Promover as indústrias criativas quando se reduz à quase insignificância a criação artística contemporânea é mais ou menos como promover a produção de pneus enquanto se fecha a fábrica da borracha. E as indústrias criativas, por definição, são projectos com rentabilidade não só económica mas também financeira, são negócio. Ao contrário da criação artística que está em posição paralela com a investigação científica e a educação, o seu retorno não é directamente financeiro. Não deveria o governo promover o financiamento das artes com recurso a estas verbas operacionalizadas pelo QREN? Não devia ter um gabinete de apoio que permitisse à estruturas depauperadas ultrapassar as barreiras técnicas de instrução de candidaturas? Com fraca capacidade financeira para aceder a estes fundos, não deveria o governo considerar a constituição de clusters – a Plateia, p.e., poderia constituir-se dessa forma – que aumentassem essa capacidade? Desde sempre a grande maioria das entidades de iniciativa não governamental se viram fora destes fundos e também, da mesma forma, fora dos apoios mecenáticos, ambos “fugindo” para as instituições do estado quer centrais quer locais. Porque não também no mecenato o governo agir e definir que uma percentagem de todos os mecenatos concedidos a entidades do estado deste sector reverta para as estruturas de iniciativa não governamental?

Em conclusão
Por tudo o que acima dizemos concluímos que…
1. Os cortes na Cultura não são contributo para atenuar o défice nacional face aos irrisórios valores envolvidos;
2. Nem que os valores fossem mais significativos nada pode pôr em causa o estado de direito; os resultados de um procedimento de concurso público têm de ser respeitados;
3. Há evidências claras de que se houvesse vontade política tais cortes não aconteceriam (veja-se o valor do perdão, em tempo de crise, às operadoras de telemóvel, p.e.)
4. Estão ainda à disposição de V.as Ex.as mecanismos de financiamento às artes sem afectar o OE, via QREN e mecenato;
5. Os cortes na cultura e nas artes em particular configuram um ataque ao interesse público nacional, incluem um desprezo pelo estado de direito (o desrespeito de contratos decorrentes de concurso público, pelo próprio instituto do concurso público como mecanismo de equidade e transparência por excelência), o aniquilamento de todo um sector de actividade que é nuclear para o desenvolvimento do país, aumento de desemprego mudo e diminuição da dinamização da economia.

Assim, aguardamos medidas urgentes que alterem o quadro negro actual. Temos ainda de manifestar o enorme desconforto de ver um profissional das artes, como é Vª Exª, a constituir-se como comissão liquidatária do sector, tarefa que poderia perfeitamente ser desempenhada por um qualquer quadro médio do estado.
De Vª Exª o que esperamos é que nos fale da incorporação das artes nos curricula do ensino básico regular, que proponha uma Lei de Bases para as Artes em que se definam as funções do estado nesta área, que angarie mais verbas para lançar programas que promovam a renovação do tecido artístico, dando cumprimento à recomendação votada favoravelmente também por PSD e CDS, de apoio específico a primeiras obras.

sábado, 19 de março de 2011

O Céu Sou Eu, Tu e Uma Estrela


O Céu Sou Eu, Tu e Uma Estrela é uma construção mágica que parte do imaginário infantil. Uma peça encantatória e hipnótica que nos transporta para um mundo poético recheado de histórias, de palavras, de perguntas e de notas musicais. Um local onde a imagem visual nos leva a passear através de paisagens de sonho.


Ficha Artística

NAPALM (Companhia de Teatro Dança em Conjunto ou Alternadamente)
Encenação: Jaime C. Soares
Interpretação: Ana Azevedo, David Pinheiro
Músico: David Pinheiro
Cenografia e Adereços: Jaime C. Soares e Francisca Soulsman
Figurinos: João Gillette e Goretti Rodrigues
Construção de Objectos de Cena: Goretti Rodrigues
Desenho de Luz: F. Preto
Música Original: David Pinheiro

Design Gráfico: Paulinho Ribeiro
Produção Executiva: Maria Manuel

Classificação etária: M/ 6 anos

Duração aproximada: 50 minutos

sábado, 26 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Fusão dos Teatros Nacionais é frivolidade política pura

O ex-director regressa ao Teatro Nacional de São João como artista convidado. A uma semana de estrear "Sombras", o encenador revolta-se contra a fusão do teatro portuense com o D. Maria II, São Carlos e Companhia Nacional de Bailado, organizações "menos maduras" e com muito menos "repercussão e prestígio". Ricardo Pais arrasa a competência de Gabriela Canavilhas e "a espécie de cacofonia gestorial digna dos piores dias de Santana Lopes". É preciso salvar o teatro da governação socialista, diz. E já.

O Governo anunciou a extinção do Teatro Nacional de São João (TNSJ), que vai ser integrado, juntamente como o D. Maria II, no OPART (que já gere o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado). É uma decisão no âmbito das medidas de austeridade. E é uma fusão "empresarial", sendo que o Ricardo Pais criticou, ao longo de anos, a própria transformação dos teatros nacionais em empresas (EPE), por ser uma visão tecnocrata.
Tecnocrata, não: incompetente. Tecnocrata, em princípio, não tem qualquer carga negativa. O que está em causa é uma visão completamente incompetente do que são os teatros e do que é a gestão teatral. A ministra [da Cultura, Gabriela Canavilhas] não tem ideia nenhuma do que se passa no TNSJ, nem da relação que há entre o modelo de gestão aqui praticado e o projecto artístico. Ao que me dizem, nunca assistiu sequer a uma produção própria deste teatro desde que é ministra.

A ministra justificou: é preciso fazer esta fusão do TNSJ porque é a forma de o manter viável.
Não, o que a ministra diz é muito pior: que sem a fusão o TNSJ não teria dinheiro para o seu dia-a-dia. É escandaloso dizê-lo. O teatro nunca deixou de ter dinheiro para o seu dia-a-dia. E, pelo que sei, se transitar com défice este ano, será o mesmo défice com que sempre transitou desde 1995, quando vim [como director] para o TNSJ. É um défice em trânsito por produção. O que acontece, sim, é que o orçamento do TNSJ vem a decrescer entre 15% e 20% desde 1995, "non stop".

Mas é no Orçamento do Estado para 2011 que há medidas drásticas contra a crise financeira.
A ideia de que, neste momento, é necessário economizar a qualquer preço é uma falsa questão. O Teatro sempre foi tratado como um lugar em crise; tem o mesmo orçamento que o Teatro Nacional D. Maria II administrando três grandes espaços, dos quais dois são teatros; além disso, o Teatro nunca esteve em "falha técnica". No esvaziamento a que se chegou, ao fechar-se o Teatro Rivoli no Porto, o TNSJ assumiu praticamente a responsabilidade integral pela co-produção e acolhimento de tudo quanto é espectáculo do Norte do País - e não só. Neste momento, faz quatro produções próprias no Porto, cinco produções próprias em digressão, nove co-produções no Porto, 14 co-produções em digressão, 41 acolhimentos por ano. E circula ininterruptamente.

Será assim também com o "Sombras"?
Sim. Quando começou a ser ensaiado, o projecto já estava colocado em vários sítios. Na estreia, estará representada a Junta da Galiza. Faremos uma digressão galega, regressando a Santiago, Vigo e Corunha, depois de lá termos estado com o "Turismo Infinito". Estamos a tratar com Madrid, Valência e Barcelona (Madrid já está praticamente marcada para Novembro do próximo ano). "Sombras" será apresentado em Paris, em Abril do próximo ano. O espectáculo é essencialmente uma encomenda do Brasil, onde iremos voltar - depois do êxito brutal que foi o "Turismo Infinito", no ano passado.

É uma exportação.
Sim, é uma exportação. Mas parece ser completamente insignificante. Mais nenhum organismo do Estado tem este tipo de actividade, como, aliás, mais nenhum tem a organização técnico-artística, a maturidade técnica e, inclusivamente, alguns serviços - centro de documentação, edições próprias, etc. - como o São João tem. Mas dá impressão de que estamos a falar de um "coitadinho", que não se consegue safar, quando na realidade está perfeitamente bem gerido. Foi, inclusive, avaliado da melhor maneira possível pelo Tribunal de Contas antes de eu sair (o que havia de críticas era dirigido ao Governo), e nunca se queixou de mais do que de falta de orçamento.

Falta de orçamento: não é uma crítica original.
Mas este é um orçamento que vem a decrescer desde 1995, não tem rigorosamente nada a ver com a crise. A crise serve de desculpa para encaixar este organismo num conjunto de outros que individualmente reconhecerão - privada ou até publicamente - que são organizações infinitamente menos maduras do que o TNSJ, com muito menos repercussão e prestígio nacional e internacional, e que além disso estão todas em Lisboa. Isto parece, aliás, uma Santa Aliança entre a senhora ministra e o dr. Rui Rio na destruição ou, pelo menos, na ignorância da importância das organizações culturais a sério, quer elas produzam sucessos Pulitzer da Broadway com as vedetas plastificadas de televisão ou não. É a total ignorância desta realidade nortenha e o conluio com a destruição sistemática do Teatro no Porto.

O São João será engolido pelas organizações maiores mas piores, é isso?
Ninguém vai acreditar que a introdução deste teatro naquele conjunto vai servir para outra coisa do que para dissipar a sua própria unidade técnico-artística. Esta casa vive com os mesmos trabalhadores há muitos anos, 92 pessoas, nunca teve um conflito laboral. Não estamos a falar das 500 pessoas da OPART... Isto é uma medida da maior gravidade. Não só porque vem desculpar-se com a suposta dificuldade de gestão - quando é ela própria considerada, até internacionalmente, um modelo de gestão económica e financeira -, como também porque, cinicamente, a absorve e a contamina com tudo o que está mal nos outros organismos, que é muito e é reconhecido, suscitando ainda a ameaça de despedimentos.

Dizia que o TNSJ tem o mesmo orçamento do D. Maria II mas gere três espaços...
E tem metade do que tem a Casa da Música, que é uma Fundação. Não estou a falar da Casa da Música com Orquestra, estou a falar de metade do orçamento de funcionamento que o Ministério atribui à Casa da Música. Vejo que continua a haver uma segregação sistemática do TNSJ, que ainda por cima é frequentemente gabado pelos próprios ministros e pelos altos dignitários da nação como sendo um projecto de excepção. Só posso entender como uma perfídia ou como uma atitude muito ínvia a inclusão deste teatro, que é um lugar de "resistência artística", no conjunto das confusões que existem em Lisboa.

O TNSJ queixa-se, como os outros, de falta de orçamento. Mas que retorno dá?
Os números de público desta casa subiram, mesmo depois da minha saída. Em 2010, estão estimados 81 mil espectadores, em 2009 foram 77 mil. Só para dar uma ideia, o número a que o director de um teatro é "obrigado" numa cidade como Reims é de 90 mil espectadores por ano. Reims tem os hábitos culturais que tem. E nós estamos a falar de uma pequeníssima cidade, o Porto, e de um teatro que ocupa um edifício a cair, cercado de andaimes para que não caiam bocados da ornamentação exterior em cima das pessoas.

Voltemos aos Teatros EPE [Entidade Pública Empresarial]. O objectivo na sua criação era profissionalizar a gestão dos teatros e racionalizar os seus custos.
As EPE surgiram com este "porquinho mealheiro" que se chama Ministério das Finanças, mas não são mais que uma forma doentia de controlo do "cash flow" das finanças centrais. O que está na base é o raciocínio de "sacar" o mais que se puder para tentar cobrir, de alguma forma, a despesa pública. Na verdade, confunde-se completamente despesa com investimento.

O argumento é: estamos em crise, a restrição orçamental é brutal e tem de ser partilhada por todos os ministérios. Incluindo a Cultura. Incluindo os seus tutelados.
Mas alguém alguma vez perguntou quanto é que custou transformar o TNSJ numa EPE e quais foram os resultados que se alcançaram? Estou a falar do longo consulado Sócrates e dos vários ministros que, quanto a mim, têm vindo a piorar sucessivamente. Alguém já fez a contabilidade analítica do investimento "per capita" em espectadores depois de ser EPE face ao que existia antes, quando era um instituto público com autonomia financeira? Alguém veio aqui verificar se se está mais feliz com a burocracia total, com a brutalidade que se pagou só em formadores para se perceber como funcionam centros de custos, como se estimula o empreendedorismo sectorial, como se faz mais economia posto a posto - para um organismo que nunca sabe sequer quanto é que vai receber este ano, quanto mais para os próximos três que tem de programar? Alguém sabe quais foram os custos desta fantástica iniciativa?
Nunca houve custos descontrolados no TNSJ porque ele nunca custou mais de um ano para o outro, pelo contrário. Alguém fez alguma vez esta análise com o teatro ou alguém se encarregou no Ministério de a fazer? Têm lá centenas de assessores de competência duvidosa, pendurados nos gabinetes a fazer sabe Deus o quê.

E no OPART, vai melhorar?
Não sei. Estará alguém a perguntar a quem tenha vivido estes problemas em cada uma das casas o que deve ser o próximo instrumento legal que cria a nova "grande OPART", de que forma vai ela reflectir a diversidade de experiências e como se consegue encontrar um máximo denominador comum? Está alguém a falar disso? A senhora ministra diz que vai ter um documento pronto brevemente. Que eu saiba, dos meus amigos administradores, ninguém viu documento algum. A não ser que vão todos para a rua, coisa em que não acredito... Jorge Salavisa parece já ser indicado como presidente, mas ninguém foi tido ou achado neste assunto.

As medidas de austeridade das Finanças surpreenderam os outros ministérios. Há pouco tempo para executar. E a ministra da Cultura diz que não há dinheiro para o São João.
Deixe-me dizer uma coisa: estar a fazer um espectáculo aqui, no São João, é um privilégio para qualquer pessoa. É comovente montar um espectáculo desta complexidade, no tempo recorde em que foi montado, com os talentos absurdos que estão aqui reunidos - Paulo Ribeiro, Mário Laginha, Fabio Iaquone, os intérpretes, todos de primeira categoria -, com a bonomia, a agilidade, a velocidade e a qualidade fantástica desta casa. E uma pessoa faz isto sabendo que há dificuldades financeiras. Como artista convidado, não se sente em momento nenhum que esta casa esteja a lutar pela sua sobrevivência, como diz a senhora ministra. Em vez de "salvar a casa", como diz a senhora ministra, a única coisa que é preciso é protegê-la da governação socialista, e o mais rapidamente possível. Não sei se para melhor ou pior, mas que se salve disto. Manifestamente, a única coisa que tem prejudicado o TNSJ são os sucessivos governos, com estas loucuras que nunca são contabilizadas, nunca são estudadas, e se sucedem umas às outras numa espécie de cacofonia gestorial digna dos piores dias de Santana Lopes.

O Ministério da Cultura estará, então, a fazer esta fusão porquê? Só para poupar dinheiro?
São devaneios políticos que não têm nada a ver com nada. É o instinto centralizador. Percebo que a máquina de propaganda socrática terá muitíssimo mais por onde se mexer e controlar se tiver um só instrumento a tomar conta de todas estas casas. Mas nem acredito que seja isso, acho que é frivolidade política pura. Estamos sempre a regressar à pré-história, pois é a única forma que os ministros encontram de ser originais e parecer que estão a trabalhar, quando, na realidade, não têm um tostão para fazer nada, nem sabem como fazê-lo.

São actos de gestão de crise, não?
Com os orçamentos como os que existem, e da maneira como são retidos e cativados, como é que se pode falar em gestão? Como, se 20% do orçamento foi cativado e nunca chegou a ser descativado? É sonegado. Acredito que seja preciso para outras coisas, mas, então, que tal seja dito desde o princípio. Como é que se pode falar em gestão? Gestão é a palavra mais gasta e abusada desta história.

Insisto: a Cultura está a participar no esforço da crise orçamental.
Claro, mas a Cultura é a única que está a participar desde o princípio... A cultura está em contenção desde que me conheço.

Pensemos nessa outra forma de Estado que somos nós, o contribuinte, o espectador. Num momento de crise nacional, de iminência de intervenção externa, de falta de autoconfiança e de identidade, de que forma é ou não a cultura importante?
Aí teríamos de parar para falar de outra coisa. Falamos sistematicamente de cultura e muito assistematicamente de arte. O grande objectivo da cultura é a produção artística. É natural que a senhora ministra se sinta muito bem em vir à abertura do "Porto Fashion", nunca tendo ido ao TNSJ assistir a uma produção própria. Fica bem, é chique. Isso nunca excluiu essa coisa determinante, que tem a ver com a educação, a qualificação, etc., que é a facilitação do acesso à criação artística e da sua comunicação e divulgação. Enquanto isto não estiver nas prioridades dos governos, não vale a pena falar de mais nada, porque não estamos, de facto, a falar de cultura. Estamos a falar de uma espécie de repartição da casa política, que se chama "cultura" como se podia chamar "Simões e Companhia".

Prioridade: criação artística.
Precisamente, se se tivesse a criação artística como prioridade, o TNSJ seria o teatro mais acarinhado do País. E é, infelizmente, o menos acarinhado. A senhora ministra é muito pérfida quando diz que a única forma de salvar uma casa que não tem dinheiro para o seu dia-a-dia é a fusão, porque se sabe que o TNSJ sempre teve a cara lavada e uma das melhores performances, precisamente com os poucos meios que tinha, que lhes estavam a ser sistematicamente ocultados. E sem que ninguém estivesse a olhar para isto com olhos de ver a repercussão imensa que tem nas pessoas, precisamente pela arte que pratica, e - mistério... - na economia!



Quem cativou o orçamento?

Em Junho, foi anunciada uma cativação de 20% das verbas do Ministério da Cultura. A ministra Gabriela Canavilhas anunciou depois que tinha conseguido reduzir a cativação de 20% para 12,5%, o que o Ministério das Finanças não confirmou.

Os teatros nacionais e o OPART
A informação disponível sobre os Teatros Nacionais e sobre o OPART é escassa e chega a ser contraditória. Sobretudo no caso do D. Maria II. Cruzando a informação de várias fontes,
eis os resultados das entidades para as quais está projectada a fusão:

Teatro Nacional de D. Maria II
Resultado líquido (2007): - 986 mil euros
N.º médio de trabalhadores (2008): 89
N.º de espectadores (2007): 91 mil
Transferências Estado (2009): 4,9 milhões

Teatro Nacional de São João
Resultado líquido (2008): - 1,4 milhões
N.º médio de trabalhadores (2008): 94
N.º de espectadores (2009): 77.222
Transferências Estado (2009): 5,5 milhões

OPART
Resultado líquido (2007): - 7,6 milhões
N.º médio de trabalhadores (2008): 413
N.º de espectadores (2009): 83.579
(São Carlos) + 27.770 (Cia. Nac. Bailado)
Transferências Estado (2009): 18,4 milhões


Fontes: Direcção-geral do Tesouro, Tribunal de Contas e Relatório OPART


in Negócios Online

domingo, 7 de novembro de 2010

1956-2010 O homem que provocava sentidos

A morte do fundador e director do Teatro de Marionetas do Porto deixa um vazio insuperável. Mas o seu legado torna o país mais rico e faz-nos pensar que o melhor amigo do Gaspar continua a ver-nos. Com ele - e depois dele - o teatro em Portugal nunca mais foi o mesmo

Para quem tiver crescido nos anos 80 há uma memória comum: aprender quantas árvores há no mundo, mas saber que só uma podia ser a preferida, a dos patafúrdios, e ter a certeza de que havia um amigo que estaria sempre ali, o Gaspar. Era tão bom, e tão simples, saber que havia uma amizade assim, "ai, faz tão bem saber com quem contar/ Eu quero ir ver quem me quer assim/ É bom pra mim e é bom pra quem tão bem me quer". As letras e as músicas d"AÁrvore dos Patafúrdios ed"Os Amigos de Gaspar (dois dos programas que criou, os outros foram Mópi e No Tempo dos Afonsinhos) eram de Sérgio Godinho, mas os amigos e os pássaros que víamos na árvore, por mais reais que fossem, eram marionetas da responsabilidade de João Paulo Seara Cardoso, encenador, pedagogo e director do Teatro de Marionetas do Porto, que morreu há uma semana, aos 55 anos, com um cancro.


O amigo João Paulo partiu, o mais importante dos amigos do Gaspar. E, desta vez, até o guarda Serôdio deve ter deixado que a passarada chilreasse à vontade.

"Insubstituível, porque é essa a realidade", diz João Carneiro, crítico de teatro no Expresso, que descobriu, com Seara Cardoso, as marionetas em Portugal. "Há um vazio que fica, e uma falta, mesmo que exista uma herança. Mas as pessoas só podem ser substituídas, se o forem realmente, em vida."

João Paulo Seara Cardoso foi um dos mais importantes encenadores de teatro portugueses e, se não fosse ele, a par de Isabel Alves Costa, que também morreu há pouco mais de um ano, com o Festival Internacional de Marionetas do Porto, não poderíamos falar de marionetas em Portugal como hoje falamos.

Ele próprio herdeiro de uma tradição praticamente perdida, a do Teatro Dom Roberto, que aprendeu com o Mestre António Dias, e apostado em "encontrar princípios de modernidade e de contemporaneidade no teatro de marionetas", como disse em 2005 à revista Sinais de Cena, da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, João Paulo Seara Cardoso deixa uma companhia com 20 anos, o Teatro de Marionetas do Porto (TMP), um projecto de museu para a cidade, e a ideia de que o teatro "não é para fazer sentidos, mas para provocar sentidos".

Foi isso que escreveu a Sérgio Rolo, há 13 anos na companhia, na última carta que lhe enviou. "Quando cheguei ao Porto foi o TMP que me interessou, porque tinha uma visão do teatro no mundo muito interventiva", diz Rolo. Essa ideia já vinha de longe, desde o tempo de Vai no Batalha, uma revista política e de reacção criada em 1993, e que para João Carneiro lhe ensinou que o teatro "era capaz de transformar a nossa visão da cidade". Nessa entrevista, hoje tragicamente difícil de ler porque os seus autores, Paulo Eduardo Carvalho e Isabel Alves Costa, morreram em pouco mais de um ano, deixando não apenas a cidade do Porto, e não só o teatro, na sua vertente de criação (João Paulo Seara Cardoso), programação (Isabel Alves Costa) e recepção (Paulo Eduardo Carvalho) mas o país cultural, intelectual e social mais pobre, o encenador diz que foi a partir daí que começou "uma reflexão sobre o caminho a tomar que, até então, talvez ainda não tivesse feito..."

Os entrevistadores diziam que o trabalho do encenador e da companhia a partir de meados da década de 90 "ilustravam de forma eloquente aquilo que se veio a tornar uma evidência: que o que define a existência de uma marioneta depende mais do modo como cada objecto, à partida, inerte é manipulado e utilizado, do que do seu aspecto ou construção".

Primeiro a marioneta

João Carneiro salienta que eram espectáculos tão mais interessantes quanta a "primazia dada à marioneta". "O trabalho dele foi sempre muito mais feliz sempre que a sua atenção se concentrou na marioneta, explorando a relação deliberada entre ela e a pessoa que a manipulava." O crítico acrescenta ainda que o trabalho do encenador era muito interessante na sua relação estrita com a marioneta enquanto entidade autónoma, sublinhando em Seara Cardoso ainda "o bom gosto que não se encontra em mais ninguém" e uma "invenção, técnica e domínio dessa técnica extraordinários".

"Para mim", disse o fundador do TMP na já referida entrevista, "a ilusão que se pretende criar de vida própria da marioneta passa a ser, com a presença do actor, um mistério muito maior. Porque já não vemos só a vida. Estamos perante a vida em confronto com a morte. A tal existência efémera da marioneta, é uma metáfora de nós próprios".

Talvez seja por isso que Luís Vieira, co-director, com Rute Ribeiro, da companhia Tarumba e do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas de Lisboa, fala da relação de Seara Cardoso com as marionetas, "como se fossem seus filhos".

"Conheci-o quando ele veio ver um espectáculo ao Museu da Marioneta, ainda este era em Alfama, e houve uma das vezes em que as marionetas que ele tinha guardadas no carro tinham desaparecido. Andámos atrás delas, como se ele tivesse perdido a coisa mais importante da vida. Acabámos por encontrá-las, tinham sido levadas por miúdos da rua que esperavam os turistas para lhes roubar as carteiras", lembra Vieira.

O trabalho dele foi "uma pedrada no charco" em Portugal, diz o também encenador. "Inscreveu o teatro de marionetas na linguagem contemporânea num contexto e numa altura em que não era fácil. As marionetas exercem uma atracção no grande público e o João Paulo sabia levá-las para além disso, criando novas ideias e novos sentidos."

Foi assim com Miséria, de 1991, a partir de um conto popular, e peça com a qual percorreu o mundo. "Era conhecido de todos por causa dessa peça", diz Sérgio Rolo. "Tinha todo o tempo do mundo e ficava lá mais quatro ou cinco dias, via os outros espectáculos, conhecia os criadores, falava com eles, em ambiente de verdadeira tertúlia", recordou na Sinais de Cena.

Histórias fantásticas

Essa capacidade de que Luís Vieira fala, e que Sérgio Rolo apelida de "respeito pelo público", foi o resultado de uma formação que o levou a participar em inúmeros ateliers, seminários e festivais internacionais desde muito cedo, percorrendo o país. Em 1978, recorda na entrevista já citada, celebrava-se o Ano Internacional da Criança, e João Paulo era animador sócio-cultural (e antes disso já tinha deixado um curso de Engenharia pelo teatro) e, com mais uns amigos, entre eles Mário Moutinho (que viria a ser a voz mítica do guarda Serôdio), faziam espectáculos como cogumelos "em condições muito precárias" mas de onde "surgiram naturalmente as marionetas". "Tínhamos uma aparelhagem de som muito rudimentar, um pequeno pórtico que se montava no largo de uma aldeia ou no salão de bombeiros, e apresentávamos espectáculos que tinham uma grande interacção com o público, com os miúdos." Foi assim que conheceu o teatro popular, essas "celebrações comunitárias que, nesse sentido, se aproximam dos ideais do teatro grego". "Eu acho que o conhecimento dessas tradições é fundamental para se crie uma verdadeira consciência teatral numa perspectiva cultural", disse. "Um dos problemas do teatro e da dramaturgia portuguesa é precisamente a falta de uma identidade", disse um homem que fez dessa pesquisa um modo de pensar o teatro, e por consequência, as marionetas. Sérgio Rolo garante que o trabalho que desenvolvia "não tinha um fio condutor e vivia de estímulos". Seara Cardoso fala de uma reivindicação do lado de artesão, "do espírito do artista e do fazedor de teatro". "Há tantas formas de fazer teatro! Eu encaro-o numa perspectiva mais performativa e política."

Ao longo de 20 anos o Teatro de Marionetas do Porto produziu os mesmos autores que poderíamos ver no "outro teatro": Shakespeare (Macbeth), António José da Silva (Vida de Esopo e Os encantos de Medeia), Beckett (Nada ou o silêncio de Beckett, com o Visões Úteis), Muller (Máquina-Hamlet), a par de clássicos infantis (Cinderella, Os Três Porquinhos, Polegarzinho) ou criações originais, respondendo a um primado de pesquisa: "Aquilo a que reajo mais é a sobrevivência de um certo naturalismo ou de um teatro apolítico e inócuo que não forma massas críticas. Um teatro "que não perturba os nossos sentidos" como dizia Artaud." E, por isso, dizia não conseguir fazer uma démarche tão experimental nos espectáculos infantis porque nunca [conseguia] fazer um espectáculo sem texto: "O que me parece interessante na arte contemporânea que se aventura numa onda não-figurativa, nos domínios do teatro, da performance, da dança, etc, [é que] a marioneta vive muito bem nesse mundo e recusaria sempre outro tipo de tratamento. E isto explica também porque nunca trabalhamos com marionetas de fios, porque são as que se aproxima mais do comportamento humano. A marioneta, na sua condição de duplo, está desde logo a afastar-se de qualquer ideia de imitação..."

E porque não era a repetição que lhe interessava, era um homem de projectos e são vários os que ficam por fazer. "Gostava de fazer uma tragédia clássica, talvez um Eurípides. Gostava de fazer mais Shakespeare, porque são textos que se adaptam muito bem ao universo da imagem, com histórias fantásticas, em torno do poder, do amor e da morte e com muitas acção interior e exterior e pouca psicologia", disse à Sinais de Cena. Queria ainda ter feito mais Beckett, e A Casa de Bernarda Alba, de Lorca. Deixa uma peça infantil por estrear, em Fevereiro, que ainda não tem título, e um projecto para a instalação de um Museu da Marioneta na Rua das Flores, no Porto. "Vamos continuar o seu trabalho", diz-nos Sofia Carvalho, produtora da companhia. Sérgio Rolo acrescenta que é "como se estivéssemos em digressão e ele não estivesse connosco mas soubéssemos o que temos que fazer". Como o sol que olhava para as árvores a crescer no início do genérico da Árvore dos Patafúrdios.

in Público

sexta-feira, 30 de julho de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Conversa com Dave St-Pierre


Não conheço o seu trabalho, mas adorei o seu discurso.



Várias vezes considerado como o “enfant terrible da dança no Québec”, Dave St-Pierre, 33 anos, foi o alvo da crítica quando, em 2004, apresentou La Pornographie des âmes, um “espectáculo-bofetada” controverso, composto por imagens chocantes, de humor negro e de nudez crua. Primeira parte de uma trilogia consagrada aos ritos de amor contemporâneo, esta peça de dança-teatro abordava a ruptura amorosa através de personagens com falta de afecto e em busca de amor, inspirando-se em figuras da dança contemporânea como Jan Fabre, Wim Vandekeybus e Pina Bausch. Agindo como um sociólogo da sua época, ele põe em cena esfolados vivos, violentos, desesperados e infinitamente sentimentais. A segunda parte, apresentada em 2006, intitulou-se Un peu de tendresse, bordel de merde!, e dissecava o apego afectivo, enquanto que o último opus, em preparação, será consagrado ao amor à primeira vista. Mas em Over my Dead Body, criado em 2009, Dave St-Pierre metia-se ele próprio em palco num solo que misturava autobiografia e ficção, em redor da doença e da morte. Perfil, na primeira pessoa, de um artista. Texto redigido a partir de uma entrevista com o artista que afirmou um gosto acentuado pela provocação e pelo espectacular.

Desarmar os espectadores

"Desarmante” é uma palavra de que gosto muito. Não me questiono muitas vezes sobre isso vendo um espectáculo porque, acima de tudo, tem que mexer comigo. Sou um espectador difícil: é preciso que entre dentro de mim. Gosto de não saber como reagir, não ter as ferramentas para compreender o que se passa. Muita gente sai dos meus espectáculos desarmado: alguns estão pasmados, mas não sabem porquê, outros reagirão mais tarde. É lindo. Vivemos realmente emoções fortes na vida. São um traumatismo que se tem de aprender a gerir. Desarmar o espectador permite atingi-lo sem que ele esteja preparado. Ele deixa de ter controlo e passa a ter que gerir as suas emoções. Por vezes não tem outra escolha senão deixar-se flagelar. As ferramentas vêm com o tempo.

MOSTRAR O ÍNTIMO

As obras da [cineasta] Catherine Breillat interpelam-me muitíssimo, sobretudo pela sua forma de mostrar a violência ou o sexo sem gratuidade. Mostrar aquilo que permanece um hábito escondido torna-se provocante e violento, ao mesmo tempo que, na vida de todos os dias, não nos incomoda assim tanto, enquanto permanece na esfera privada. Ao torná-lo público, esta cineasta provoca-me enquanto criador, nomeadamente quanto aos meus limites. De facto, até onde posso ir?

La Pianiste, do Mickael Haneke, com Isabelle Huppert foi um dos filmes que me levou a criar La Pornographie des âmes. Aparentemente, esta é mulher normal, apesar de fria. No entanto, ela tem um lado perverso que toda a gente ignora e que a leva a mutilar-se, até à excisão. Acho fascinante que tantas pessoas tenham certas atitudes em segredo e evitem falar delas porque as vão achar anormais.

Claro, algumas têm patologias ,como a protagonista do filme, mas para muitos outros são somente pequenos gestos, pequenas perversidades. É humano, é o que mantêm o nosso equilíbrio. Mas por uma razão que desconheço, uma parte da população fecha os olhos sobre isso como se fosse nojento. Tudo depende da forma como fomos educados. Por exemplo, em minha casa, ninguém podia estar nu! Mesmo em roupa interior, não dava. Eu não percebia porquê. “Porque é assim !”. Muitas vezes, quando somos jovens, não nos explicam a razão de certas convenções.

Eu já era rebelde : “Sim, mas isso incomoda?” As pessoas que seguem as regras reforçam a convenção, enquanto que outras questionam a ordem. Durante muito tempo, não me sentia no meu lugar porque gostava de coisas que muita gente não gostava.

Não percebia bem porquê. Em boa verdade, é sem dúvida porque as incomoda que a mim me entusiasma! As pessoas não gostam de ser acordadas e de ver outras coisas que não aquilo que lhes foi dado a conhecer. Acho o conforto muito aborrecido, até porque não se passa nada. É politicamente correcto e “gentil”. Necessito de ser puxado para o desconforto.

O DESCONFORTO

Se me comparo a outros criadores, não me acho muito subversivo. Ao lado de Jan Fabre, Wim Vandekeybus ou Romeo Castelucci, sou um menino de coro! Jan Fabre pôs homens em erecção em palco e bailarinos que inserem objectos nos seus orifícios… Ele afastou as convenções. Hoje em dia, em dança contemporânea, as inserções de objectos tornaram-se quase em norma. Assim como o nu. Como para uma comédia de Hollywood, trata-se praticamente de uma receita. Perante os espectáculos de Jan Fabre, sinto-me no meu universo. Não me choca. Ao contrário, reconforta-me: há um mundo paralelo que existe!

O universo da performance é muito mais subversivo. Eu podia chocar-me com o Chris Burden que se baleou no braço durante a sua performance Shoot. Interrogar-me-ia sobre o que tinha ido ver. Aliás, que género de espectador vai ver este tipo de performance? A auto-mutilação choca-me porque não entendo que existam pessoas que tenham prazer a fazer-se mal. Enquanto bailarinos, podemos-nos permitir ter dor até um certo ponto. O corpo é sagrado. O meu estado de saúde pode ter condicionado esta visão [Dave St Pierre sofre de fibrose quística pulmonar, cuja média de vida é 37 anos]. O meu corpo já sofre demasiado, pelo que não percebo porque há pessoas que infligem auto-sofrer. Não é preciso magoar-se. Penso em Castelucci: quando ele se faz atacar por cães [em Inferno, ver OBSCENA #19], ele veste uma roupa de protecção. No entanto, há seis cães que lhe saltam em cima! Não é necessário que ele se faça verdadeiramente morder para compreender a violência desta cena. Mesmo fazendo batota, podemos atingir a verdade. Em 1964, Yoko Ono, em camisa branca e com um par de tesouras em cima de uma mesa, convidava o público a cortar a sua roupa. No início, alguns não se atreveram a fazê-lo. Ela incitava os espectadores a interagir. Outros artistas, como Marina Abramovic, convidaram o público a agir directamente nos seus corpos com ajuda de diferentes instrumentos postos à sua disposição. E com o tempo, os espectadores tornam-se cada vez menos inibidos nas suas intervenções. É impressionante.

Quando os bailarinos se esbofeteiam na cara em Un peu de tendresse bordel de merde!, eu não considero que isso seja um acto de violência infligida ao corpo; é antes um estado emotivo, um estado de transe. É o público que nos pára, e considero isso magnífico! Quando o público decide que já chega, é a mais bela das coisas. Neste caso também, cada um tem os seus limites. O estado do público muda consideravelmente de uma cena a outra. No espectáculo, esta cena torna-se muito emotiva em função do que a precede e do que se segue. É uma violência feita à nossa imagem, ao que nós representamos. Mesmo que muita gente pensa que o que faço é gratuito, as bofetadas tem para mim um significado. Na vida, há sempre alguém para te dar uma bofetada! Bofetadas simbólicas, por vezes. As bofetadas são uma forma de o representar em palco.

O SUBVERSIVO

A palavra “subversão” não significa o mesma para toda a gente. O que é subversivo para mim não é necessariamente para os outros. Por exemplo, há filmes americanos que considero hiper-chocantes por irem contra os meus valores: os filmes de direita, muito católicos, com casamentos, crianças, carros, piscinas, etc. Se uma personagem não tem um trabalho e um jipe, ele não venceu na vida. Nestes filmes americanos, esta noção de sucesso representa para mim algo de aberrante. É uma coisa que não percebo e que altera completamente a minha forma de ver a sociedade. Ora, para noventa e cinco por cento da população, é o género de discurso que eles ouvem todos os dias na televisão. Para eles, não é de todo subversivo. Por outro lado, os artistas tentam chocar, provocar e de afastar os limites; são inconformistas mesmo que, paradoxalmente, tornou-se numa norma para eles. Mas para o senhor e a senhora anónima, a arte é subversiva.

Em Pornographie des âmes, um intérprete morre fazendo amor. Minutos antes, ele põe um preservativo. Interrogo-me muito sobre esta cena, este gesto, no fundo muito “politicamente correcto”. Ora, quando este espectáculo foi apresentado em Roma, sabendo que o Vaticano é contra o uso do preservativo, este quadro tornou-se, neste contexto, subversivo. Acabei por não saber como considerar as coisas! Por ter apresentado os meus espectáculos um pouco por todo o lado, a reacção do público é relativamente a mesma. No entanto, há censuras segundo os países. A maior parte das vezes os programadores pediram-me de modificar o Un peu de tendresse bordel de merde! sob pretexto de conhecerem o seu público. Pediam-me para suprimir a cena das “louras”, onde uma dezena de homens nus trazendo perucas louras passeiam na sala por entre os espectadores para fazerem exercícios de alongamento. Antes eu hesitava, enquanto que hoje, recuso-me categoricamente: os programadores que assumam as suas escolhas! As louras não são subversivas, são palhaças! Por outro lado, o facto de circular no meio do público incomoda. Uma produtora em Munique explicava-me que os espectadores “alugam” o lugar onde se sentam e que não se pode “penetrar” nesse espaço. Se os espectadores não quisessem ser tocados, que fossem aos teatros com cabines à volta dos bancos, como nos peep-shows!

Over my Dead Body é sem dúvida o mais subversivo que fiz. Está no limite da performance porque trata-se na minha vida de verdade. Apareço com a minha garrafa de oxigénio e estou muito magro. Este show impressionou os espectadores. Misturo a minha vida real e o teatro. No entanto, não me inflijo nenhuma dor no palco ; é a doença que me enfraqueceu fisicamente. Coloco em cena o meu próprio corpo em decadência. Considero a decadência como uma poesia assustadora, é tão humano! Foi aliás uma das primeiras críticas que recebi: “ver humanos no palco!” Talvez isso seja subversivo: colocar em palco o humano. Penso que a verdade é bela. As pessoas são mais tocadas quando vêem humanos em palco do que na televisão.

O HUMANO

Os performers alteram a forma como um espectáculo é feito. Muitas vezes, não há início, não há desenvolvimento, não há crescente dramático nem dramaturgia. Um mesmo gesto pode ser repetido mil vezes; pode ser muito monótono. Isto leva o performer a um estado de fadiga extrema que me impressiona. Aliás, reparo que várias vezes um bailarino porque salta mais alto do que os outros e corre mais rapidamente, se torna sobre-humano, e ao mesmo tempo, é uma autêntica “máquina”. Uma máquina que não tem “pudor”: ela está em excesso, um excesso controlado.

Vivemos na era dos videoclips. Mesmo os videoclips tornaram-se longos demais. Hoje em dia, vivemos com o twitter. Exprimimo-nos em quatro palavras, duas imagens, e é só isso. Levar tempo a ver uma imagem é subversivo. Em la Pornographie des âmes, mesmo se a maioria das imagens são curtas, outras duram oito minutos. De um segundo a outro, passas do riso ao choro, o que é muito raro na vida de todos os dias, de uma maneira tão vincada, excepto perante uma catástrofe. É como se se brincasse aos videoclips com as emoções. Isto atrai-me bastante, mas ao mesmo tempo vou desacelerando antes de lançar as imagens para que as pessoas se captem a ideia. Tem que se passar por cima do mal-estar para compreender. Vemos atrocidades na televisão. Mas o ecrã cria um distanciamento. Muitas pessoas protegem-se assim. Nos meus espectáculos levo as emoções ao extremo, nomeadamente por via da música. O que me atinge mais, é quando, num determinado momento, uma sequência se torna insuportável. Cria uma espécie de catarse. Após la Pornographie des âmes, perguntaram-me o que iria fazer a seguir. E surgiu Un peu de tendresse bordel de merde! Estar nu ou mijar em palco já eu vi antes. Tudo depende da forma como se coloca.

Todavia, com Over my Dead Body, abordo uma coisa visceral: a morte. Mesmo o amor não é tão visceral! Podemos gritar se virmos um casal a discutir. No entanto, ver alguém morrer é, ainda, a coisa mais horrível de se viver no plano emotivo. Quando alguém nos deixa, desmoronamo-nos, mas refazemo-nos. Com a morte, toquei num lado sensível. Para a minha próxima peça, penso muito sobre esta questão, pois regresso à minha trilogia que fala do amor: desta vez, tratarei do amor à primeira vista. Ora, o amor à primeira vista é violento: até onde posso ir dentro disso? A carne pode abrir-se? Haverá um meio de fazer batota para obter o efeito de uma performance sem utilizar muito o teatral? Já vi falsas espingardas atirar em palco: é sem interesse, porque sabemos que é falso, enquanto deveria ser golpeante. Em Un peu de tendresse bordel de merde!, ultrapassamos a magia do teatro. É o que considero de belo: quando damos bofetadas, damo-las de verdade.

O INSUPORTÁVEL

O filme Twentynine Palms de Bruno Dumont deu-me literalmente vontade de vomitar. Não é nojo, é uma reacção das entranhas. Para além da cena da violação, de entre as coisas mais atrozes que vi no cinema – de uma violência estranha, a cena dura tanto tempo que se torna insuportável – a lentidão do filme perturbou-me completamente. A espera é muitas vezes intolerável. Ora, uma cena de crime chega brutalmente. Toda a gente no público tem o coração nas mãos. Alguns saíram mesmo para vomitar. No entanto, não vemos nada, é alucinante. Por outro lado, a banda sonora perturbou-me durante meses… o actor dá talvez umas cinquenta facadas. Nem me lembro das imagens. Esperava apenas que a faca entrasse na carne. Entra. Entra. E longo. E longo. Sentia-me mal. Saí de lá, gritei.

Como posso suscitar tal emoção em palco? Interrogo-me bastantes vezes sobre o acto sexual apresentado em palco. No teatro, ver actores simular o acto não me parece interessante: fazem de conta, “brincam”. Enquanto que podes ver actos sexuais em bares! Vendo um filme de Catherine Breillat, e uma vez que estava no cinema não para ver uma obra erótica, senti um estímulo sexual. Enquanto criador, posso eu excitar sexualmente o meu público? Em la Pornographie des âmes, não há estimulação sexual, apenas imagens. A minha fantasia absoluta, e essa é a base do espectáculo encerra a trilogia sobre o amor, seria ir mais longe. Muitas pessoas gostam desta sobredose de emoção na minha obra, outros odeiam-na de morte. Para eles, é “Hollywood”. De facto, faço espectáculos espectaculares e não o nego. As pessoas vão ver espectáculos para se divertir. Porque é que o meu trabalho se torna comercial só por eu usar métodos hollywoodescos? Porque não aplicar esta dimensão hollywoodesca na dança contemporânea? O que é a “arte contemporânea”? O que é a “arte” de hoje?

Que a chamem de “arte subversiva” ou “arte comercial”, são denominações que não querem dizer nada. Se me perguntarem o que faço, eu respondo que não sei. Se tomarmos isso num primeiro grau, eu faço espectáculos de variedades. No absoluto, coloco um espelho e as pessoas vêem-se. A televisão, por vezes, age assim. Mas como criador, espero fazer mais do que isso. Queria que o público se interrogasse. Não quero que seja apenas uma imagem que reflecte: quero que a imagem fale.

Dave St Pierre apresentou Un peu de tendresse bordel de merde! no dia 13 de Julho de 2010 no Palco Grande da Escola D. António da Costa, integrado no 27º Festival de Teatro de Almada. No mesmo dia, houve uma conversa com o coreógrafo e o director da OBSCENA.

Texto construído por Katya Montaignac e publicado em colaboração com a revista canadiana Cahiers de Thèâtre JEU.

Este perfil foi publicado na OBSCENA #24.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ficarão de Fora os Cães

FICARÃO DE FORA OS CÃES

Serralves Em Festa

Quantas maneiras há para se morrer? De que variadas formas o sono final nos pode assaltar? Um ataque cardíaco, um terramoto, ou um simples ataque de tosse. E quando? Daqui a um ano, um dia ou neste preciso segundo? Podemos fugir, mas não nos podemos esconder...

Direcção - Jaime C. Soares
Interpretação - alunos dos Cursos de Teatro e Dança do Balleteatro Escola Profissional - Humberto Caetano, Bruna Martins, Maria Carolina Montbrun, Valter Fernandes, Ema Santa Bárbara, Maria Antunes, Micaela Soares, Vasco Lima, Bruno Almeida, Cláudia Moreira, Flávio Loureiro, Olena Pyeskova, Inês Viegas, Raquel Calção, Ricardo Pereira, Hélder Silva, Pedro Andrade, Marisa Carvalhido, José Silva, José Leite, Márcio Ferreira, Patrícia Teixeira.
Assistente do projecto - Alexandre Tavares
Operação de som - Matu
Produção - Balleteatro

Parceiro: Balleteatro Escola Profissional



Sábado
Hora: Das 16:00 às 17:00
Local: Pátio do Ulmeiro


Domingo
Hora: Das 12:30 às 13:30
Local: Pátio do Ulmeiro

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Velha Lixou-me a Erva Toda!!

Eu acho piada às personagens.

sábado, 27 de março de 2010

Mensagem Dia Mundial do Teatro 2010

O Dia Mundial do Teatro é uma oportunidade para celebrar o Teatro nas suas múltiplas formas. O Teatro é uma fonte de divertimento e de inspiração e tem a capacidade de unificar as numerosas populações e culturas existentes no mundo. Mas é mais do que isso e também oferece oportunidades para educar e informar.

O Teatro é feito por todo o mundo e nem sempre nos espaços tradicionais de teatro. Os espectáculos podem acontecer em uma pequena aldeia de África, no sopé de uma montanha da Arménia, em uma pequena ilha do Pacífico. Só precisa de um espaço e de público. O Teatro tem o dom de nos fazer sorrir, de nos fazer chorar, mas também deve fazer-nos pensar e reflectir.

O Teatro faz-se com trabalho de equipa. Vêem-se os actores, mas existe um conjunto extraordinário de pessoas que não é visto. Elas são tão importantes como os actores e são as suas competências diversas e específicas que permitem que o espectáculo aconteça. Devem receber parte do triunfo e sucesso que se espera obter.

O dia 27 de Março é a data oficial do Dia Mundial do Teatro. Mas todos os dias deviam ser considerados, de maneiras diferentes, como um dia de Teatro, pois temos a responsabilidade de continuar essa tradição de divertimento, de educação e de edificação dos nossos públicos, sem os quais nós não poderíamos existir.

Dame Judi Dench

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Companhias e criadores unem-se contra “falta de política cultural municipal” no Porto

“Há um desinvestimento muito grande da Câmara do Porto nas infraestruturas da cidade, em salas médias, para companhias que ainda se estão a afirmar ou que não são subsidiadas”, observou, em declarações à Lusa, Ivo Bastos, da companhia de teatro Palmilha Dentada, um dos mentores da ideia.

Assim, o movimento, que reúne várias companhias e artistas em nome individual e que recebeu a designação de “Variação da Cultura”, alugou a Sala - Estúdio Latino, do Teatro Sá da Bandeira onde, a partir de quinta-feira, começa a apresentar uma programação “continuada e diversificada”.

O aluguer é, para já, apenas por seis meses, porque foi esse o período para o qual foi possível “assegurar a programação”, mas também porque o projecto terá de passar por um “período de experimentação”, embora a vontade seja “para continuar”, refere Ivo Bastos.

“Queremos mostrar que esta cidade merece um tratamento um bocadinho melhor do que está a ter, ao nível da cultura, porque desapareceu a intenção de fazer cultura na cidade”, observa.

Em comunicado enviado à Lusa, o colectivo “Variação da Cultura” considera “insustentável” que, numa cidade com quatro escolas de teatro, não exista “capacidade de acolhimento aos jovens grupos que naturalmente se vão formando”.

O grupo refere, ainda, que “numa cidade que se pretende cosmopolita e dinâmica, é incompreensível não existirem infraestruturas capazes de acolher projectos de média dimensão, com as valências técnicas necessárias a um bom acolhimento de público”.

Nos próximos meses, as noites de quarta a domingo da Sala - Estúdio Latino vão ser ocupadas com espectáculos de teatro: quinta-feira é o dia um da programação, que começa com a reposição de “Norma”, da Palmilha Dentada. Está, ainda, prevista, a estreia de “O Escadote”, da companhia Tenda de Saias, de “Não”, de Hélder Guimarães e de “Rädda”, do colectivo Segunda Vez.

A programação inclui, também, as reposições de “Noites Brancas”, da companhia Chão Concreto e de “Confissões de um Carrasco Na Hora de ir para a Cama”, do Mau Artista.

As tardes serão ocupadas com espectáculos para crianças (durante a semana para escolas, e aos sábados e domingos para o público em geral). Já agendadas estão as peças “Xata”, da Tenda de Saias, “João Sem Medo”, da Confraria das Estórias, “Gil Vicente”, do Mau Artista, e “Caça Palavras”, do Teatro do Frio.

As terças-feiras, de Março a Maio, vão ser dedicadas a ciclos temáticos (de cinema ou dança), seguidos de conversas.

A organização estima que, ao longo dos seis meses da programação, “serão realizadas 220 sessões de 24 programas de 15 companhias e criadores diferentes, envolvendo 87 profissionais do espectáculo”, esperando “15 mil espectadores”.

in Público

Orçamento para o Teatro São João obriga a cortes no programa

Em declarações à agência Lusa, Francisca Carneiro Fernandes manifestou ainda alguma "esperança" na revisão da indemnização compensatória prevista para o Teatro Nacional portuense, que é de 4,9 milhões de euros (o mesmo valor do ano passado, e que se vem repetindo desde 2007, salienta a responsável).

Se essa revisão não se verificar, tal significa "estar a gerir e a programar numa situação de subfinanciamento completo". Francisca Carneiro Fernandes insiste em que aquele montante - a que acrescem, depois, as receitas próprias que o teatro conseguir angariar - "não é suficiente para as despesas mínimas e para o serviço público" que a instituição está obrigada a prestar.

Aquela responsável lembra que o TNSJ gere presentemente quatro edifícios - o próprio teatro na Praça da Batalha, o Carlos Alberto (TeCA) e o Mosteiro de São Bento da Vitória, para além de um quarto espaço para adereços e figurinos -, não compreendendo, por isso, que este encargo não esteja reflectido no orçamento.

Com estas limitações orçamentais, o TNSJ não permitirá ao seu director artístico, Nuno Carinhas, avançar com a programação que tinha delineado para 2010 - recorde-se que, em Dezembro passado, o São João limitou-se a apresentar a programação para o primeiro trimestre de 2010, alegando não ter garantias de cabimento orçamental para a temporada com o perfil desejado...

Além disso, acrescenta a administradora, terá de ser praticamente cancelado o trabalho de internacionalização das produções do TNSJ, como aquele que no ano passado levou a São Paulo, no Brasil, o espectáculo Turismo Infinito, da dupla António M. Feijó/Ricardo Pais, sobre o mundo poético de Fernando Pessoa. "É um retrocesso sério, que terá consequências sérias", não se sabendo se será depois possível "recuperar os passos para trás", acrescentou Francisca Carneiro Fernandes.

Também o número de récitas e o consequente fluxo de públicos que o Teatro São João prevê poder apresentar ao longo deste ano serão afectados pela situação orçamental. Assim, em vez das 409 apresentações realizadas no ano passado, em 2010 não será possível ultrapassar as 350, o que acarretará, admite a presidente do conselho de administração, uma perda de cerca de 20 mil espectadores (dos 77 mil de 2009 para os 56 mil previstos para este ano).

Este resultado é apresentado como a inevitável "consequência da questão orçamental", nota Francisca Carneiro Fernandes.

in Público

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Que Se Leva Desta Vida (espectáculo vaiado)

Eu não queria comentar e deixar o vídeo falar por si, mas não resisto.
Isto é ABSOLUTAMENTE ASSUSTADOR! Não vi o espectáculo e até pode ser horrível, mas o que estes senhores (público) fizeram foi o regresso da Idade Média aos nossos dias.
Resta-me agradecer ao "anónimo" que teve a amabilidade de partilhar este vídeo comigo.
5 estrelas.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Na Minha Parede Escarlate Retratos

No Cine-Teatro Constantino Nery
Na Minha Parede Escarlate Retratos

Esteve em cena nos últimos dias 26 e 27 o espectáculo de dança “Na Minha Parede Escarlate Retratos” de Isabel Barros, uma co-produção do Cine-Teatro Constantino Nery e do Balleteatro, conquistou o público matosinhense. Sala encheu nos dois dias.
Tratou-se de um interessante momento de dança e de cor, e, como se pode ler no texto de apresentação “Na Minha Parede Escarlate Retratos será um lugar de ficção onde a partir da ideia de auto-retrato se inscrevem imagens sucessivas que nunca se deixam fixar. Espécie de ‘travelling’ pela paisagem memória. Num cenário branco, os “números” sucedem-se sem censura”.
Esta nova criação de Isabel Barros, que parte do texto de Jaime Soares, traduz uma perfeita sintonia entre o trabalho idealizado pela coreógrafa e a interpretação excelente dos três artistas que, em palco, mostram um jogo entre a imaginação e a realidade, entre a vida e a morte, fazendo com que “o espectador se liberte e inicie ele próprio o jogo, com a sua própria vida, imaginando-se e criando-se como puder. Antes da morte, antes que a morte destrua o movimento e não possamos, todos, imaginar mais nada. Uma proposta brilhante a destes artistas, a de nos obrigar a recomeçar”, como muito inteligentemente assinala Valter Hugo Mãe.
Para este escritor e artística plástico, “Este trabalho de Isabel Barros é de uma beleza imediata, intensa, cortante, feita de uma espontaneidade invejável, assente numa percepção inteligentíssima da liberdade do intérprete, que claramente pôde crescer dentro da narrativa encontrando o seu particular conforto”. Sem dúvida, e pela reacção do público, na noite da estreia, foi possível constatar o agrada perante a beleza do espectáculo e a emoção que os interpretes iam deixando transparecer. Um trabalho exigente, minucioso, mas muito expressivo, revelador de um grande domínio da técnica e da emoção.
A direcção, coreografia e cenografia deste espectáculo estiveram a cargo de Isabel Barros, sendo a música de Jonathan Saldanha, os figurinos de Helena Medeiros e foram interpretes Carlos Silva, Jaime Soares e Sónia Cunha.

in Matosinhos Hoje

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

NA MINHA PAREDE ESCARLATE RETRATOS


26 , 27 NOV | 21H30
NA MINHA PAREDE ESCARLATE RETRATOS
Nova criaÇÃo de Isabel Barros
ESTREIA ABSOLUTA

Local
Cine-Teatro Constantino Nery, Teatro Municipal
Avenida Serpa Pinto 4450 Matosinhos

Será um lugar de ficção onde a partir da ideia de auto-retrato se inscrevem imagens sucessivas que nunca se deixam fixar. Espécie de travelling pela paisagem memória. Num cenário branco, os "números" sucedem-se sem censura.

Direcção e coreografia Isabel Barros
Intérpretes Carlos Silva, Jaime C. Soares e Sónia Cunha
Cenografia Isabel Barros e Helena Medeiros
Música Jonathan Saldanha
Figurinos Helena Medeiros
Desenho de Luz Alexandre Vieira
Construção de Máscaras Raul Constante Pereira, Sandra Neves e Hernâni Miranda
Adereços Isabel Barros
Textos Jaime C.Soares
Fotografia André Cepeda
Produção executiva Patrícia Caveiro
Co-Produção balleteatro e Cine Teatro Constantino Nery
Apoio TROIS C-L - Centre de Création Chorégraphique Luxembourgeois
Classificação m/16


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Morreu Isabel Alves Costa

Isabel Alves Costa, figura de proa da cultura portuense das últimas décadas – que fez nome e carreira sobretudo no teatro – e que faleceu no sábado, vítima de doença súbita, aos 63 anos, é cremada hoje, no cemitério do Prado do Repouso, no Porto, às 14h30.

Lamentada por todos os pares, Isabel Alves Costa, que desempenhava funções de directora do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) – que fundou em 1989 –, é recordada sobretudo pelos anos que passou à frente do Teatro Rivoli na qualidade de directora artística. Entre 1993 e 2007, ditou os destinos daquela estrutura até que o actual presidente da Câmara, Rui Rio, atribuiu a exploração da sala a uma empresa privada (gerida por Filipe La Féria).

Nascida em 1946, filha de Henrique Alves Costa, histórico director do Cineclube do Porto, e irmã do arquitecto Alexandre Alves Costa, Isabel Alves Costa estudou em Paris e doutorou--se em Estudos Teatrais na Sorbonne.

Foi programadora do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura e actualmente colaborava também no projecto Comédias do Minho, associação de promoção de actividades culturais. O seu desaparecimento prematuro deixou inconsoláveis amigos e colaboradores como Ricardo Pais e Manuela de Melo. Em Isabel Alves da Costa o encenador e ex-director do Teatro Nacional São João destaca o "amor ao espectáculo em todas as dimensões", enquanto a antiga vereadora da Cultura do Porto evoca a forma totalmente absorvida como se entregava ao trabalho.

Na qualidade de investigadora, Isabel Alves da Costa deixa vários títulos publicados – entre eles o recente ‘Rivoli - 1989-2006’ – e fica a promessa: a próxima edição do FIMP, que se realiza em Setembro, ser-lhe-á dedicada.


in Correio da Manhã

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Baile dos Candeeiros no CCB

15 Ago 2009 - 21:30
M/6 ANOS

PRAÇA DO MUSEU

ENTRADA LIVRE


Todos nós temos um universo mágico que carregamos da nossa infância. Inspirados em rituais e tradições que remontam ao final dos anos sessenta, fomos buscar inspiração para esta criação ao famoso “Baile dos cinco candeeiros”, originalmente criado na Foz do Douro. Este baile era local de convívio, local de encontro, de amores, de danças e aventuras.
Candeeiros humanos, autónomos, espalhados por pontos estratégicos ganham as características dos espaços que habitam. Acendem, apagam, respiram, dançam, interagem, reagem...

sábado, 8 de agosto de 2009

Morreu Raúl Solnado

Raul Solnado morreu este sábado aos 79 anos. O actor estava internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a recuperar de uma intervenção cirúrgica ao coração.


Aclamado como um dos maiores nomes do humor português, Solnado estreou-se no teatro na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, em 1947. Em 1952 tornou-se actor profissional e um ano depois entra no teatro de revista com a peça ‘Viva o Luxo', no Teatro Monumental. O actor não mais parou, tendo participado em diversos filmes, como ‘Sangue de Toureiro' ou ‘O Tarzan do Quinto Esquerdo', nunca esquecendo os palcos do teatro.

Em 1961 interpretou um dos seus sketch mais conhecidos ‘A Guerra de 1908', na revista ‘Bate o é', no Teatro Maria Vitória. Solnado ficou ainda associado a um dos programas mais populares da RTP ainda no tempo do Estado Novo. A 24 de Maio de 1969 gravou, juntamente com Fialho Gouveia, também ele já falecido, e Carlos Cruz o primeiro episódio do programa ‘Zip Zip'. Em Dezembro do mesmo ano, gravou o último episódio de um programa que marcou a ‘Primavera Marcelista' e provocou alguma polémica.

Seguiram-se peças de teatro e filmes e, em 1977, colocou-se à frente das câmaras para apresentar ‘A Visita da Cornélia'. ‘Há Petróleo no Beato' ou ‘Super Silva' foram outros dos êxitos de Solnado nos palcos em 1981. Ainda no mesmo ano voltou a fazer companhia a Fialho Gouveia e Carlos Cruz na apresentação do programa ‘O Resto São Cantigas'.

No filme ‘A Balada da Praia dos Cães', de José Fonseca e Costa, baseado no livro de José Cardoso Pires, ousou desempenhar um papel dramático. Em 1993 entrou no universo das novelas portuguesas, ao lado de Eunice Muñoz, em ‘A Banqueira do Povo'.

Após uma pausa de seis anos, volta aos palcos em 2001 para um papel de grande relevo na peça 'O Magnífico Reitor' de Freitas do Amaral. Recebeu nesse ano o Prémio Carreira Luiz Vaz de Camões. No ano seguinte, Solnado foi homenageado com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa e recebeu, a 10 de Junho de 2004, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, entregue pelo Presidente da República Jorge Sampaio.

Raul Augusto Almeida Solnado morreu aos 79 anos quando se preparava para voltar à televisão, num programa que a RTP pretendia exibir ainda este ano. Era ainda Director da Casa do Artista, sociedade que dá apoio aos artistas, que fundou juntamente com Armando Cortez, também ele já falecido, entre outros.


in Correio da Manhã

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Baile dos Candeeiros


O BAILE DOS CANDEEIROS, pela associação Radar 360º, quinta-feira, 11, pelas 21:30 horas, junto ao mosteiro da BATALHA. Inspirada em rituais e tradições que remontam ao final dos anos 60, esta criação foi buscar inspiração ao famoso: “Baile dos cinco candeeiros”.
Originalmente criado na Foz do Douro, este baile era local de convívio, local de encontro, de amores, de danças e aventuras. No seu interior, muito mais do que cinco candeeiros a petróleo iluminavam o espaço, no Gira-Discos a 33 rotações passavam as músicas da moda. Candeeiros humanos, autónomos, espalhados por pontos estratégicos. Ganham características dos espaços que habitam. Acendem, apagam, respiram, dançam, interagem, reagem.